14/03/2025 13:58

Entrevista exclusiva: Leonardo Quadros fala sobre as lutas e perspectivas para o Saúde Caixa

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O Saúde Caixa, que há anos garante atendimento médico e hospitalar aos empregados da Caixa e seus familiares, enfrenta desafios que preocupam seus usuários. A limitação da participação da Caixa no custeio do plano, com o teto estatutário de 6,5% da folha, o aumento acelerado dos custos, a demora na liberação de procedimentos e a redução da rede credenciada têm gerado apreensão e mobilização da categoria. Diante desse cenário, a APCEF/RJ entrevistou Leonardo Quadros, Diretor de Saúde e Previdência da Fenae e coordenador da representação dos trabalhadores no GT Saúde Caixa, para esclarecer pontos essenciais sobre o plano e as ações em defesa da sua qualidade e sustentabilidade.

APCEF/RJ - Na última reunião com os representantes dos empregados no GT, a Caixa apresentou os resultados do plano em 2024, com um déficit de R$ 17 milhões. Qual é a perspectiva do plano, frente a este resultado?

Leonardo Quadros: O relatório atuarial produzido pela consultoria contratada pela Caixa indicava um aumento nas mensalidades do plano de 22,86% ou, alternativamente, a mudança no formato de custeio, com a adoção da mensalidade totalmente individualizada e cobrada de acordo com a faixa etária dos usuários.

Somos totalmente contrários a qualquer uma destas alternativas. Como o déficit foi menor que o valor das reservas acumuladas do plano, que somaram R$ 112 milhões ao final de 2024, e teremos a renovação do acordo específico do Saúde Caixa neste ano, entendemos que é precipitado aplicar qualquer reajuste neste momento. 

Precisamos buscar o fim do teto estatutário de 6,5% da folha para o custeio do Saúde Caixa pela empresa, conseguindo aplicar o custeio na proporção de 70% dos custos pela Caixa e 30% para nós, empregados, sem nenhum condicionante, o que aumentará a participação da Caixa no custeio, melhorando as condições de financiamento do plano.

APCEF/RJ - Os comitês de credenciamento e descredenciamento de profissionais, clínicas e hospitais já estão funcionando no Rio de Janeiro? Como está o andamento desse processo?

Leonardo Quadros: Os comitês regionais de credenciamento e descredenciamento ainda não foram instalados. Após uma primeira proposta da Caixa e uma contraproposta de nossos representantes do GT, ficou preestabelecido que será criado um número maior de comitês, que se reunião mais frequentemente, e contarão com um número maior de membros. Entre os membros, há a previsão de participação, inclusive, de empregados da rede.

O comitê do Rio de Janeiro também será responsável pelo acompanhamento da rede credenciada no estado do Espírito Santo. As bases do retorno dos comitês já foram definidas, e estamos ajustando os termos do regulamento, para garantir um melhor fluxo de informações entre o comitê e os usuários da região de representação, e então teremos condições de realizar sua instalação.

APCEF/RJ - A campanha “Queremos Saúde Caixa”, realizada pela Fenae, Contraf-CUT, Apcefs e demais entidades representativas, encerrou-se em 20 de fevereiro ou ainda continua? Quais os próximos passos?

Leonardo Quadros: A campanha continua! As ações definidas para o dia 20 de fevereiro foram seu pontapé inicial, e a ideia é que tenhamos novas ações a cada dia 20, sempre com o objetivo de chamar a atenção da direção do banco para os pontos em que precisamos evoluir no Saúde Caixa.

APCEF/RJ - A direção da Caixa já se posicionou sobre as mensagens enviadas pelos usuários do plano à Central Saúde Caixa como parte da campanha “Queremos Saúde Caixa”? Houve algum retorno concreto?

Leonardo Quadros: Ainda não tivemos nenhum retorno concreto da direção do banco, em relação à ação realizada no dia 20. Mas a melhor resposta que tivemos foi ver o debate que foi gerado, entre os usuários, com a ação que foi proposta. É fundamental que todos compreendam que a forma de buscar soluções para os problemas que enfrentamos é coletiva, e a ação ajudou a consolidar esta visão.

APCEF/RJ - Acompanhamento de reclamações e análise de registros são fatores determinantes para cobrar soluções efetivas da direção da Caixa? Como isso tem sido trabalhado?

Leonardo Quadros: Com certeza são subsídios importantes. Quando conseguimos quantificar e identificar as situações, ganhamos muita força nas discussões com o banco, e conseguimos evoluir na cobrança de soluções concretas.

APCEF/RJ - Os empregados da Caixa enfrentam um momento crítico com o Saúde Caixa: falta de especialistas, demora na autorização de exames e aumento dos custos. Como coordenador da representação dos trabalhadores no GT Saúde Caixa, que mensagem você deixa para os usuários do plano diante desse cenário?

Leonardo Quadros: Há muito o que melhorar. Precisamos evoluir na fiscalização do plano, é necessário implementar programas de prevenção e de promoção da saúde, realizar acompanhamento dos usuários com doenças crônicas, ampliar a rede credenciada, entre outras medidas. Para isto, é fundamental que a estrutura responsável pelo Saúde Caixa tenha condições de cumprir este papel, com o aumento do número de empregados, e que haja uma integração maior com as demais áreas da diretoria de pessoas do banco.

Além disso, a Caixa precisa investir na modernização. É inadmissível que ainda tenhamos que assinar guias em papel, o que fragiliza muito o processo. Também é necessário rever o trabalho da auditoria médica, ajustando o termo de referência do edital na próxima licitação, face às inúmeras reclamações.

Estamos trabalhando para realizar uma análise minuciosa dos dados do plano, com o apoio de uma consultoria atuarial, para buscar alternativas para que o Saúde Caixa seja economicamente viável e financeiramente sustentável, de forma perene.

Para que tenhamos sucesso na luta pelo fim do teto, pela implementação de políticas de saúde, melhoria na fiscalização, ampliação da rede, entre outros desafios, a participação de cada um nas ações que serão propostas é fundamental!

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