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Lotex é vendida quase que de graça para consórcio estrangeiro

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Após seis tentativas, o governo federal entregou a Lotex (Loterias Instantâneas da Caixa) de bandeja para a iniciativa privada, por um lance único de apenas R$ 818 milhões, muito abaixo do que realmente vale. O comprador foi o consórcio estrangeiro Estrela Instantânea, formado pela americana Scientific Games International e a inglesa International Game Technology. O leilão aconteceu na terça-feira, 22, na sede da B3 (bolsa de valores do Brasil), em São Paulo (SP).

O pagamento inicial será no valor de R$ 96,969 mi. O valor total de R$ 818 mi a serem pagos à União irá considerar a inflação projetada, podendo ser realizado o pagamento em mais 7 parcelas anuais (R$ 103 mi) que serão corrigidas pelo IPCA. A Lotex ficará sob comando do consórcio estrangeiro por 15 anos.

A venda da Lotex ao mercado privado ameaça sobretudo o investimento em programas sociais que recebiam repasses da loteria quando estavam sob controle da Caixa Econômica Federal, tais como nas áreas de seguridade social, esporte, cultura, segurança pública, educação e saúde. A exemplo disso, somente em 2017, a Lotex transferiu R$ 5,2 bilhões de R$ 13,9 bilhões (equivalente a 37,4%) aos referidos setores. Após a venda, a nova regra determina que o consórcio Estrela Instantânea transfira apenas 16,7% do faturamento das operações ao governo.

Campanha alerta sobre a venda de ativos da Caixa

Neste mês, o Comitê Nacional em Defesa da Caixa se uniu a demais entidades representativas dos trabalhadores para o lançamento da campanha #ACaixaÉTodaSua. O objetivo é conscientizar a categoria de empregados da Caixa sobre os riscos que representam a venda de ativos do maior banco público da América Latina nas áreas de cartões, seguros, gestão de ativos e loterias. O fim da gestão do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) pela instituição também está sob ameaça. Para saber mais sobre a campanha, acesse www.acaixaetodasua.com.br.

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